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Jornada da Leitura
Resumo de aula · Jornada da Leitura

Ação e manutenção: reforçar o que funciona, ajustar o que não, e ler os sinais de retorno

Vídeo 14
Prof. Júlio Gonçalves · Disciplina Avaliação e tratamento das dependências tecnológicas · Vídeo 14

Os dois últimos estágios: na ação, reforçar o que funciona e ajustar conforme os obstáculos aparecem; na manutenção, trabalhar a prevenção de recaídas, a identidade de quem mudou e os sinais que avisam do retorno.

Sobre este material

Material de estudo dirigido a psicólogos, escrito a partir dos slides do décimo quarto vídeo da disciplina, que fecha a série dos estágios de mudança com ação e manutenção. Não havia transcrição.

O vídeo é curto: duas fichas de estágio. O material as desenvolve e as liga ao que veio antes.

Como usarAbra as seções que quiser ler, marque o que pretende aplicar e responda o que fizer sentido. Tudo fica salvo neste aparelho — ninguém mais vê.
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O essencial
  • Ação: "estou fazendo mudanças concretas". O paciente altera ativamente o padrão e ainda sente vontade de voltar. As perguntas olham para o que está sendo feito; a intervenção reforça e ajusta.
  • Reforçar o progresso é intervenção, e não elogio. O que o terapeuta nota e nomeia é o que o paciente repete. Reforçar o específico (a quarta que não cumpriu e a quinta que voltou) vale mais que o geral.
  • Manutenção: "mantenho a mudança, mas preciso me cuidar". Semanas ou meses de novo padrão, com risco de recaída diante de estressores. As perguntas olham para o risco; a intervenção é prevenção.
  • A pergunta dos sinais é a mais importante da fase. "Que sinais tu observa quando percebe que pode estar voltando?" transforma a recaída de evento em processo, com aviso prévio.
  • Identidade de alguém em mudança. Relembrar conquistas e revalidar as razões pessoais é o que sustenta a mudança quando o reforço da novidade acaba.

Ação: a ficha do estágio

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Ação e manutenção: o que muda na pergunta e na intervenção
4 · AÇÃO "Estou fazendo mudanças concretas." PERGUNTAS OLHAM PARA O QUE ESTÁ SENDO FEITO o que já faz de diferente · o que funciona o que é mais difícil · mantém o planejado? o que ajuda e o que atrapalha INTERVENÇÃO reforçar progressos · monitorar dificuldades ajustar estratégias conforme os obstáculos aparecem 5 · MANUTENÇÃO "Mantenho a mudança, mas preciso me cuidar." PERGUNTAS OLHAM PARA O RISCO o que tem ajudado a manter · já recaiu? como lidou com a recaída que sinais avisam que está voltando INTERVENÇÃO prevenção de recaídas · identidade de alguém em mudança · relembrar conquistas e revalidar as razões para mudar
Na ação, o terapeuta olha para o que está sendo feito; na manutenção, para o que pode desfazer. A pergunta sobre sinais de retorno é a que prepara o plano de recaída.

O quarto estágio, na frase do paciente: "Estou fazendo mudanças concretas no meu comportamento."

  • Características: o paciente altera ativamente seu padrão de comportamento. Pode ainda sentir vontade de voltar ao hábito antigo.
  • Perguntas: o que ele já está fazendo de diferente em relação ao uso; o que tem funcionado bem até agora; o que tem sido mais difícil; se está conseguindo manter o que planejou; o que ajuda e o que atrapalha.
  • Intervenção: reforçar progressos; monitorar dificuldades; ajustar estratégias conforme os obstáculos aparecem.

Repare na ordem das perguntas: primeiro o que ele faz de diferente e o que funciona; só depois o que é difícil. É a mesma lógica da balança do vídeo 11, agora aplicada ao esforço: o paciente que ouve o terapeuta notar o que deu certo fica mais disposto a contar o que não deu.

Reforçar é específico

"Parabéns, tu está indo bem" reforça pouco, porque não diz o que repetir. "Tu não cumpriu na quarta e na quinta voltou, sem esperar a semana seguinte" reforça a conduta que importa: retomar. O que o terapeuta nota e nomeia é o que o paciente aprende a notar em si. E o ajuste vem do mesmo material: cada "o que atrapalhou" é uma mudança na agenda, e não uma falha do paciente.

Manutenção: a ficha do estágio

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O quinto estágio, na frase do paciente: "Estou conseguindo manter a mudança, mas preciso me cuidar."

  • Características: o paciente já mantém o novo padrão há semanas ou meses. O risco de recaída ainda existe, principalmente diante de estressores.
  • Perguntas: o que tem ajudado a manter o controle sobre o uso; se já teve alguma recaída e como lidou com ela; que sinais ele observa quando percebe que pode estar voltando ao padrão antigo.
  • Intervenção: trabalhar prevenção de recaídas; reforçar a identidade da pessoa como alguém em mudança; relembrar conquistas e revalidar as razões pessoais para mudar.

A pergunta dos sinais

Das três perguntas, a terceira é a que vale a sessão. "Que sinais tu observa quando percebe que pode estar voltando?" faz o paciente descrever a recaída como processo, e não como evento. Ele costuma responder com coisas pequenas: deixar o celular no quarto de novo, pular a caminhada, dormir mais tarde, "só dar uma olhada" no jogo. Esses sinais viram a lista de alerta do plano de recaída (vídeo 20), e o plano só funciona porque a lista é dele.

Identidade

A intervenção que o slide chama de "reforçar a identidade da pessoa como alguém em mudança" responde a um problema concreto: o reforço da novidade acaba. Nas primeiras semanas, mudar é interessante; depois de meses, é só rotina, e a rotina antiga continua disponível a um toque. O que sustenta é a pessoa se ver como alguém que fez isso, com as conquistas na frente e as razões revalidadas. Vale voltar aos caminhos da vida do vídeo 11 e perguntar em qual dos dois ela está andando agora.

Os cinco estágios, vistos juntos

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Com os vídeos 10 a 14, a série dos estágios fecha. Vale ver o desenho inteiro, porque cada estágio muda o que o terapeuta faz com a mesma técnica.

  • Pré-contemplação: perguntas abrem a percepção; informação sem julgamento, só depois.
  • Contemplação: balança de vantagens e desvantagens, caminhos da vida, "o que te impede".
  • Preparação: meta SMART, escala de alcance, agenda com o que entra no lugar, arranjo do ambiente.
  • Ação: reforçar o específico, monitorar, ajustar a agenda a cada obstáculo.
  • Manutenção: sinais de retorno, plano de recaída, identidade e razões.

E a recidiva, quando vem, devolve o paciente a um estágio anterior, com mais informação, como o vídeo 9 mostrou. O terapeuta que sabe em qual estágio o paciente está hoje sabe qual pergunta fazer hoje; é para isso que o modelo serve, com a ressalva que já foi feita: leitura de prontidão, e não rótulo.

Lendo o vídeo em processos

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  • Na ação, o alvo é a alça nova. O comportamento planejado precisa ser reforçado até que a consequência natural (bem-estar, competência, pertencimento) assuma o lugar do reforço do terapeuta. Reforçar o específico acelera essa transferência.
  • Na manutenção, o alvo é a alça velha. Ela não sumiu; está disponível. Os sinais de retorno são os primeiros elos dela se reativando, e por isso a pergunta dos sinais é intervenção sobre discriminação.
  • Identidade é um nó de self, e é o que faz a mudança durar depois que a novidade acaba. Relembrar conquistas e razões é alimentar esse nó.
  • O modelo de estágios serve para escolher a técnica; a rede serve para saber por que ela funciona. Os dois juntos evitam aplicar protocolo em quem não está pronto e evitar técnica em quem está.
Levar para a prática
Para revisar — responda

1. Descreva a ficha da ação: características, perguntas e intervenção.

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Características: altera ativamente o padrão e ainda pode sentir vontade de voltar. Perguntas: o que já faz de diferente, o que funciona, o que é mais difícil, se mantém o planejado, o que ajuda e o que atrapalha. Intervenção: reforçar progressos, monitorar dificuldades e ajustar estratégias conforme os obstáculos aparecem.

2. Por que reforçar o específico vale mais que reforçar o esforço em geral? Dê um exemplo.

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Porque o reforço específico diz ao paciente o que repetir, e o geral não. "Tu não cumpriu na quarta e na quinta voltou" reforça a conduta de retomar; "tu está indo bem" não reforça nada em particular. O que o terapeuta nota e nomeia é o que o paciente passa a notar em si.

3. Descreva a ficha da manutenção: características, perguntas e intervenção.

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Características: mantém o novo padrão há semanas ou meses, com risco de recaída diante de estressores. Perguntas: o que tem ajudado a manter, se já recaiu e como lidou, que sinais observa quando pode estar voltando. Intervenção: prevenção de recaídas, identidade como alguém em mudança, relembrar conquistas e revalidar razões.

4. O que a pergunta sobre sinais de retorno faz com a ideia de recaída, e para que serve a resposta?

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Transforma a recaída de evento (aconteceu ou não) em processo (está começando, com aviso prévio). A resposta, que costuma ser uma lista de coisas pequenas (celular no quarto, pular a caminhada, dormir tarde), vira a lista de alerta do plano de recaída, e o plano funciona porque a lista é do paciente.

5. Resuma o que o terapeuta faz em cada um dos cinco estágios.

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Pré-contemplação: perguntas que abrem a percepção, informação depois. Contemplação: balança, caminhos da vida, o que impede. Preparação: meta SMART, escala de alcance, agenda com substituição, ambiente arranjado. Ação: reforçar o específico, monitorar, ajustar. Manutenção: sinais de retorno, plano de recaída, identidade e razões.

6. Pense num paciente teu em manutenção. Quais seriam os três primeiros sinais de que ele está voltando, e o que tu combinaria para cada um?

Ver critérios
Não há resposta certa. Uma boa resposta lista sinais concretos e precoces desse paciente (mudanças de horário, de lugar do aparelho, de sono, uma atividade que ele para de fazer) e combina uma resposta para cada um, proporcional e imediata, de preferência a que já funcionou antes. O erro comum é listar sinais tardios (jogou o dia inteiro), quando a recaída já aconteceu.
Salvo neste aparelho

Referências

  1. Marlatt, G. A., & Donovan, D. M. (Eds.). (2005). Relapse prevention: Maintenance strategies in the treatment of addictive behaviors (2nd ed.). Guilford Press.
  2. Miller, W. R., & Rollnick, S. (2023). Entrevista motivacional: Ajudando pessoas a mudar e crescer (4. ed.). Artmed.
  3. Prochaska, J. O., DiClemente, C. C., & Norcross, J. C. (1992). In search of how people change: Applications to addictive behaviors. American Psychologist, 47(9), 1102–1114.
Nota de métodoMaterial dirigido a psicólogos. É o décimo quarto vídeo de uma disciplina de pós-graduação; análise de desfechos e solução de problemas vêm no vídeo 15.

Fonte. Este resumo foi escrito a partir dos slides do vídeo, sem transcrição da fala. O vídeo tem dois slides de conteúdo, as fichas de ação e de manutenção. O quadro "reforçar é específico", a seção sobre a pergunta dos sinais e a identidade, a síntese dos cinco estágios e a seção final em processos foram desenvolvidos pelo autor do material a partir da lógica da disciplina. As perguntas do roteiro foram transcritas como estão no slide, com "você", porque são instrumento do professor.

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Prof. Júlio Gonçalves
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