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Jornada da Leitura
Resumo de aula · Jornada da Leitura

Análise de desfechos e solução de problemas: a fase intermediária começa pelo que a tela evitava

Vídeo 15
Prof. Júlio Gonçalves · Disciplina Avaliação e tratamento das dependências tecnológicas · Vídeo 15

A fase intermediária em quatro movimentos: monitorar as ativações a cada sessão, checar os recursos quando a adesão falha, usar a análise de desfechos para o problema que o paciente evita, e a solução de problemas com preocupação agendada.

Sobre este material

Material de estudo dirigido a psicólogos, escrito a partir dos slides do décimo quinto vídeo da disciplina, que abre a fase intermediária com o monitoramento das ativações, a análise de desfechos e a solução de problemas. Não havia transcrição.

O caso do TCC atrasado é vinheta didática dos slides.

Como usarAbra as seções que quiser ler, marque o que pretende aplicar e responda o que fizer sentido. Tudo fica salvo neste aparelho — ninguém mais vê.
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O essencial
  • O monitoramento das ativações é a cada sessão. Quanto conseguiu fazer, quão difícil foi, quanto melhorou o humor, o que impediu. Sem isso, a agenda do vídeo 13 vira papel.
  • Adesão baixa pede checagem de recursos, e não de motivação. Atividade física não interessa à maioria. Se a ativação não pega, a primeira hipótese é que a atividade estava errada.
  • A tela costuma esconder um problema com nome. No exemplo, o TCC atrasado escondia três: os prazos que ele tem vergonha de perguntar, a matrícula que o pai não sabe, o tema que não gosta.
  • Análise de desfechos: melhor, pior e plano para o pior. A régua de 0 a 100 obriga a colocar o provável entre os extremos, e o plano de ação escrito para o pior tira dele o poder de paralisar.
  • Preocupação com hora marcada, e produtiva. Vinte minutos por dia para as preocupações, e solução de problemas em cinco colunas: brainstorm, vantagens, desvantagens, escolha, primeiro passo.

A fase intermediária: o que ela tem e como se monitora

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O vídeo abre a fase intermediária, cujo objetivo é modificar padrões de pensamento e comportamento desadaptativos. O slide liga cada frente do quadro (vídeo 8) ao que já foi feito: o monitoramento e a redução gradual se fazem via HumanTrack ou EMA (vídeo 7); as atividades offline vêm da escala de valores mais ação oposta (vídeo 13); e o treinamento em habilidades traz estratégias de regulação emocional, enfrentamento do tédio com atividades valorosas, e exposição imaginada para os estímulos aversivos, como os sociais (vídeo 18).

O monitoramento é a cada sessão

À medida que as atividades são planejadas e executadas, o monitoramento de quatro perguntas deve ser feito a cada sessão: quanto conseguiu fazer? quão difícil foi? quanto melhorou o humor? o que impediu de ser feita? É a conclusão diária da agenda do vídeo 13, agora perguntada pelo terapeuta, e é o que transforma a agenda em tratamento em vez de tarefa.

Quando a adesão falha
O slide avisa: caso não esteja tendo adesão às ativações, é importante verificar os recursos disponíveis para a execução. O exemplo é direto: atividade física não é interessante para a maioria. A primeira hipótese para a ativação que não pega não é falta de motivação; é atividade errada, horário errado, ou uma habilidade que falta. A pergunta "o que impediu" é a que separa as três.

O problema atrás da tela: o exemplo do TCC

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O slide seguinte mostra por que a fase intermediária precisa de solução de problemas. O exemplo: um paciente precisa começar a escrever o TCC. Atrás dessa tarefa, três problemas em cadeia. Ele não sabe os prazos e precisa perguntar ao orientador, mas tem vergonha. Precisa pedir dinheiro ao pai para renovar a matrícula atrasada, mas o pai não sabe. E o tema que o orientador quer não é atrativo, e ele tem pouca experiência.

É o retrato de como a tela funciona como evitação: o jogo não é o problema, é a resposta a três problemas que a pessoa não sabe como enfrentar. Enquanto eles não tiverem plano, a redução de horas devolve o paciente a três fontes de ansiedade sem nada no lugar. O slide liga isso a duas técnicas: solução de problemas (do treinamento em habilidades) e reestruturação cognitiva (das intervenções cognitivas), que o vídeo 16 vai trabalhar com o mesmo caso.

Análise de desfechos

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Análise de desfechos: o problema do exemplo
PROBLEMA precisa pedir dinheiro ao pai para a matrícula atrasada, e ele não sabe 0 25 50 75 100 MELHOR DESFECHO o pai não reage mal e ajuda a resolver o problema PLANO DE AÇÃO terapia · conversa aberta com o pai · relevância daqui a 5 anos · apoio de parentes ou amigos PIOR DESFECHO o pai xinga, rejeita, não quer ajudar, se decepciona, deserda
A régua obriga o paciente a colocar o desfecho provável entre os dois extremos, e o plano de ação é escrito para o pior. Quando o pior tem plano, ele deixa de ser o fim do mundo.

Para o problema do meio (pedir dinheiro ao pai), o slide aplica a análise de desfechos. Uma régua de 0 a 100; numa ponta, o melhor desfecho: o pai não ter uma reação negativa e ajudar a resolver. Na outra, o pior desfecho: o pai xingar, rejeitar, não querer ajudar, se decepcionar, deserdar. E, ligado ao pior, o plano de ação: terapia; conversa aberta com o pai sobre os problemas; a relevância disso daqui a cinco anos; apoio de outros parentes ou amigos.

A técnica faz duas coisas. Primeiro, obriga a pessoa a nomear os extremos, e o pior nomeado costuma ser menos catastrófico do que o pior imaginado (o "deserdar" fica evidentemente exagerado quando está escrito ao lado de "se decepcionar"). Segundo, e mais importante: o plano de ação é escrito para o pior. Quando o pior tem plano, ele deixa de ser o fim e vira um cenário com resposta, e a pessoa consegue agir mesmo sem garantia do melhor.

Como conduzir

Pedir os dois extremos antes de qualquer probabilidade. Depois pedir que o paciente marque na régua onde ele acha que vai cair, e perguntar por que ali. Só então montar o plano para o pior, com pelo menos um item que não dependa da reação do pai (no exemplo: apoio de outros parentes, e a terapia). A pergunta "daqui a cinco anos, isso ainda seria difícil de suportar?" é a que redimensiona.

Solução de problemas e a preocupação com hora marcada

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O último slide traz a ficha de solução de problemas, que abre com uma frase de contexto: as duas intervenções mais importantes para reduzir a ansiedade generalizada são o adiamento da preocupação e tornar a preocupação produtiva, por meio da solução de problemas. Dois passos.

  • Passo 1: reservar 20 minutos do dia para anotar as preocupações. Fazer uma lista de problemas e possíveis soluções, e todo dia acrescentar novas preocupações, se houver. Refletir sobre elas de forma atenta e consciente, sem precisar resolver nada. O exemplo de compromisso: "das 18h30 às 19h, de segunda a sexta, para me preocupar de forma produtiva; sempre que os pensamentos surgirem fora desse horário, vou me lembrar desse recado; se for difícil, exercícios de regulação emocional, distração ou outra atividade importante".
  • Passo 2: qual é o problema? quais as consequências de não resolver? e os benefícios de resolver? Depois, a tabela de cinco colunas: brainstorm de soluções, sem julgar quão boas ou ruins; vantagens de cada uma; desvantagens; a escolha da melhor (ou da menos pior); e o que precisa fazer para colocá-la em ação.

Para o paciente do exemplo, isso significa que os três problemas do TCC deixam de rodar no fundo o dia inteiro (que é quando a tela entra) e passam a ter meia hora com hora marcada e uma tabela. A frase "escolha a melhor solução ou a menos pior" é importante: para quem evita, a exigência de uma solução boa é o que mantém a evitação.

Lendo o vídeo em processos

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  • O monitoramento das ativações é a medida da alça nova, e a pergunta "o que impediu" é o diagnóstico diferencial entre atividade errada, contexto errado e habilidade que falta.
  • O problema atrás da tela é a função de evitação com nome. Encontrá-lo é o que permite tratar a causa em vez do sintoma.
  • A análise de desfechos trabalha a intolerância à incerteza: o pior com plano é suportável, e agir sem garantia do melhor vira possível.
  • A preocupação agendada retira o combustível da ruminação, que é o precipitante mais comum do uso noturno (vídeo 7). A solução de problemas repõe a habilidade que a tela substituía.

Na prática: perguntar o que impediu, achar o problema atrás da tela, colocar o pior na régua com plano, e dar meia hora por dia à preocupação, com tabela.

Levar para a prática
Para revisar — responda

1. Quais são as quatro perguntas do monitoramento das ativações, e por que devem ser feitas a cada sessão?

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Quanto conseguiu fazer, quão difícil foi, quanto melhorou o humor e o que impediu de ser feita. A cada sessão, porque é o que transforma a agenda em tratamento: sem revisão, a agenda vira tarefa, e a pergunta "o que impediu" é o único jeito de ajustar a atividade, o horário ou a habilidade que falta.

2. O que fazer quando o paciente não adere às ativações, segundo o slide, e por quê?

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Verificar os recursos disponíveis para a execução, e não a motivação. O exemplo do slide: atividade física não é interessante para a maioria. A primeira hipótese para a ativação que não pega é que a atividade estava errada, o horário estava errado ou falta uma habilidade; a pergunta "o que impediu" separa as três.

3. Descreva os três problemas em cadeia do exemplo do TCC e o que eles mostram sobre a função da tela.

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Não sabe os prazos e tem vergonha de perguntar ao orientador; precisa pedir dinheiro ao pai para a matrícula atrasada e o pai não sabe; o tema não é atrativo e ele tem pouca experiência. Mostram que a tela é evitação de problemas com nome: reduzir horas sem dar plano a esses três devolve a ansiedade sem nada no lugar.

4. Explique a análise de desfechos e por que o plano de ação é escrito para o pior.

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Régua de 0 a 100 entre o melhor desfecho (o pai não reage mal e ajuda) e o pior (xinga, rejeita, deserda); o paciente marca onde acha que vai cair; e o plano de ação (terapia, conversa aberta, relevância em cinco anos, apoio de outros) é escrito para o pior. Escrever para o pior tira dele o poder de paralisar: quando o pior tem resposta, a pessoa consegue agir sem garantia do melhor.

5. Descreva os dois passos da ficha de solução de problemas e o papel da preocupação com hora marcada.

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Passo 1: reservar 20 minutos por dia para anotar e refletir sobre as preocupações, com compromisso de horário e um recado para quando elas aparecem fora dele (regulação, distração, outra atividade). Passo 2: definir o problema, as consequências de não resolver e os benefícios de resolver, e preencher cinco colunas: brainstorm sem julgar, vantagens, desvantagens, escolha da melhor ou menos pior, e o que fazer para colocá-la em ação. A hora marcada tira a ruminação do dia inteiro, que é quando a tela entra.

6. Pense num paciente teu. Que problema com nome está atrás do uso, e como tu montaria a régua de desfechos para ele?

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Não há resposta certa. Uma boa resposta nomeia um problema concreto e evitado (uma conversa, um prazo, uma dívida, uma decisão), escreve o melhor e o pior desfecho nas palavras do paciente, e monta um plano para o pior com ao menos um item que não dependa da reação de terceiros. O erro comum é montar a régua sobre o uso da tela em vez de sobre o problema que ela evita.
Salvo neste aparelho

Referências

  1. Borkovec, T. D., Wilkinson, L., Folensbee, R., & Lerman, C. (1983). Stimulus control applications to the treatment of worry. Behaviour Research and Therapy, 21(3), 247–251.
  2. D'Zurilla, T. J., & Nezu, A. M. (2007). Problem-solving therapy: A positive approach to clinical intervention (3rd ed.). Springer.
  3. Dugas, M. J., & Robichaud, M. (2007). Cognitive-behavioral treatment for generalized anxiety disorder: From science to practice. Routledge.
  4. Martell, C. R., Dimidjian, S., & Herman-Dunn, R. (2010). Behavioral activation for depression: A clinician's guide. Guilford Press.
Nota de métodoMaterial dirigido a psicólogos. É o décimo quinto vídeo de uma disciplina de pós-graduação; RPD e reatribuição vêm no vídeo 16.

Fonte. Este resumo foi escrito a partir dos slides do vídeo, sem transcrição da fala. Os quadros "quando a adesão falha" (a partir do aviso do slide), "como conduzir" e a seção final em processos foram desenvolvidos pelo autor do material a partir da lógica da disciplina. A régua de desfechos foi redesenhada com os elementos do slide.

Referências. Os slides não citam fontes. O adiamento da preocupação remonta a Borkovec e colaboradores (1983) e está no protocolo de Dugas para ansiedade generalizada; a solução de problemas segue D'Zurilla e Nezu. As obras estão nas referências como respaldo, não como fonte dos slides. O caso do TCC é vinheta didática.

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