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Jornada da Leitura
Resumo de aula · Jornada da Leitura

Prevenção à recaída: seis passos e uma tabela de riscos e proteções

Vídeo 20
Prof. Júlio Gonçalves · Disciplina Avaliação e tratamento das dependências tecnológicas · Vídeo 20

A fase final em seis passos: avaliar fatores de risco, conscientizar, desenvolver habilidades de enfrentamento, plano de ação personalizado, monitoramento contínuo e reforço de conquistas; e a tabela que junta tudo por dimensão.

Sobre este material

Material de estudo dirigido a psicólogos, escrito a partir dos slides do vigésimo vídeo da disciplina, sobre a fase final: prevenção à recaída. Não havia transcrição.

A tabela de riscos e proteções é o exemplo do slide para um paciente advogado, e foi mantida como vinheta.

Como usarAbra as seções que quiser ler, marque o que pretende aplicar e responda o que fizer sentido. Tudo fica salvo neste aparelho — ninguém mais vê.
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O essencial
  • Prevenção de recaída começa pela avaliação de risco. Estressores, padrões de pensamento e situações disparadoras deste paciente, antes de qualquer estratégia.
  • O plano de ação é para quando os sintomas voltarem. Passos concretos em caso de sinais específicos ou situações difíceis. Um guia, e não uma promessa.
  • Monitoramento contínuo pega o sinal cedo. Diários, escalas de humor, acompanhamento regular. É a EMA do vídeo 7 mantida depois da alta.
  • Reforçar conquistas é fortalecer autoeficácia. Celebrar o progresso, por menor que seja, é o que sustenta a crença de superar desafios.
  • Cada risco tem uma proteção na mesma linha. Psicossocial, comportamental, cognitivo-emocional, ambiental. A tabela é a formulação de manutenção do paciente.

A fase final: seis passos

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A fase final tem por objetivo consolidar mudanças, manter ganhos e prevenir recaídas. O quadro lista o que a compõe: reforço da autoeficácia; planejamento de situações de risco; plano de ação em caso de recaída; discussão sobre o uso funcional da internet; rotina saudável; acompanhamento do progresso com tarefas entre sessões. Os dois slides seguintes organizam o trabalho em seis passos.

  • 1. Avaliação de fatores de risco. Antes de implementar estratégias, uma avaliação minuciosa dos fatores de risco individuais: eventos estressores, padrões de pensamento disfuncionais e situações desencadeadoras que aumentam a vulnerabilidade à recaída.
  • 2. Conscientização e psicoeducação. Promover a conscientização do paciente sobre a própria condição e os desencadeadores; educar sobre os sinais precoces e sobre as estratégias de enfrentamento eficazes.
  • 3. Desenvolvimento de habilidades de enfrentamento. Regulação emocional, resolução de problemas e manejo do estresse; habilidades sociais, para fortalecer os relacionamentos.
  • 4. Plano de ação personalizado. Em colaboração com o paciente, um plano com passos concretos a seguir em caso de surgimento de sintomas específicos ou situações desafiadoras: um guia prático para enfrentar potenciais desafios.
  • 5. Monitoramento contínuo. Um sistema para identificar precocemente sinais de alerta: diários, escalas de avaliação de humor e acompanhamento regular das mudanças nos padrões.
  • 6. Reforço de conquistas e autoeficácia. Reforçar as conquistas alcançadas durante a terapia; celebrar os progressos, por menores que sejam, contribui para a motivação contínua e a crença de superar desafios.

O que os seis passos têm de novo

Quase nada, e é essa a lição. Regulação emocional é o vídeo 12; solução de problemas, o 15; habilidades sociais, o 19; monitoramento, o 7; sinais precoces, o 14. A prevenção de recaída não é uma técnica nova; é a organização das anteriores em torno de uma pergunta: o que este paciente vai fazer, sem o terapeuta, quando a situação de risco aparecer? O passo 4 é a resposta escrita, e o passo 1 é o que diz quais situações são essas.

A tabela de riscos e proteções

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Fatores de risco e de proteção, por dimensão
DIMENSÃO RISCO PROTEÇÃO Psicossocial carga horária de trabalhosemanal excessiva atividades valorosas para equilibrar oorçamento corporal; sono e alimentação Comportamental fazer tudo sozinho, tirando tempodo sono; evitar situações temidas apoio de profissionais, consultoria,estagiário; solução de problemas,adiamento da preocupação, exposição Cognitivo eemocional alta sensibilidade ao estresse nasinterações com clientes; intolerânciaà incerteza habilidade de regulação emocional;contestação cognitiva Ambiental estressores ocupacionais: a escolhada profissão (advocacia ou concurso) escolha e manutenção de um projetode vida baseado nos valores
A tabela do slide, para um paciente advogado. Cada risco tem uma proteção na mesma linha, e as proteções são as técnicas dos vídeos anteriores com o nome do paciente.

O último slide junta tudo numa tabela para um paciente específico, um advogado, em quatro dimensões.

  • Psicossocial. Risco: estressores significativos, especificamente carga horária de trabalho semanal excessiva. Proteção: atividades valorosas para equilibrar o orçamento corporal; hábitos de sono e alimentação regulares.
  • Comportamental. Risco: fazer tudo sozinho, mesmo que implique usar tempo que não possui (retira tempo do sono); evitação de situações temidas. Proteção: apoio de profissionais mais habilitados, consultoria, estagiário; aplicação de solução de problemas, adiamento da preocupação e exposição direta, sempre que possível.
  • Cognitivo e emocional. Risco: alta sensibilidade ao estresse, principalmente nas interações com clientes, gerando ansiedade; intolerância à incerteza. Proteção: habilidade de regulação emocional; contestação cognitiva.
  • Ambiental. Risco: estressores ocupacionais em relação à escolha da profissão (manter-se na advocacia ou fazer concurso). Proteção: escolha e manutenção de um projeto de vida baseado nos valores.

Três coisas para notar. Primeira: cada risco tem a proteção na mesma linha, e a proteção é uma técnica da disciplina com o nome do paciente ("estagiário" é solução de problemas aplicada; "projeto de vida baseado nos valores" é o vídeo 13). Segunda: a tabela não menciona a tela em nenhuma linha. O risco de recaída deste paciente não é o celular; é a carga horária, o fazer tudo sozinho, a sensibilidade ao cliente e a dúvida sobre a profissão. A tela é onde ele vai parar se esses quatro voltarem. Terceira: a dimensão ambiental tem a proteção mais lenta (um projeto de vida), e é a que mais sustenta as outras.

Como montar a tabela com o paciente
Uma linha por sessão, nas últimas sessões. Começar pelo risco: "quando tu recaiu ou quase recaiu, o que estava acontecendo?" A resposta cai numa das quatro dimensões. Depois a proteção: "e o que, de tudo que a gente fez, teria segurado?" A resposta é uma técnica que ele já conhece. A tabela pronta vai com ele, e o plano de ação (passo 4) é a coluna da direita em ordem: o que fazer primeiro quando o sinal da esquerda aparecer.

Lendo o vídeo em processos

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  • A tabela é a formulação de manutenção: os riscos são os antecedentes que reativam a alça velha, e as proteções são as respostas alternativas que a rede nova já tem. Não há técnica nova porque não há nó novo; há a mesma rede sem o terapeuta.
  • O risco não é a tela. É o contexto (carga horária), o comportamento (fazer sozinho), a cognição e o afeto (sensibilidade, incerteza) e o projeto de vida. A tela é o destino da alça, e não o gatilho.
  • O monitoramento contínuo é a discriminação que permite agir no primeiro elo e não no último. Os sinais do vídeo 14 são o que se monitora.
  • Autoeficácia é o nó de self que sustenta a manutenção quando a novidade acaba. Reforçar conquistas pequenas é alimentar esse nó com evidência.
  • Uso funcional da internet é a meta realista: a rede nova inclui a tela, no lugar certo e com a função certa.
Levar para a prática
Para revisar — responda

1. Liste os seis passos da prevenção à recaída e o que cada um envolve.

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1, avaliação de fatores de risco: estressores, pensamentos disfuncionais, situações disparadoras. 2, conscientização e psicoeducação: condição, desencadeadores, sinais precoces, estratégias. 3, habilidades de enfrentamento: regulação emocional, solução de problemas, manejo do estresse, habilidades sociais. 4, plano de ação personalizado: passos concretos em caso de sintomas ou situações difíceis. 5, monitoramento contínuo: diários, escalas de humor, acompanhamento regular. 6, reforço de conquistas e autoeficácia: celebrar progressos, por menores que sejam.

2. Por que a prevenção de recaída "quase não tem técnica nova", e o que ela tem de específico?

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Porque regulação, solução de problemas, habilidades sociais, monitoramento e sinais precoces já foram trabalhados nos vídeos anteriores. O específico é a pergunta que organiza tudo: o que este paciente vai fazer, sem o terapeuta, quando a situação de risco aparecer. O passo 1 diz quais situações são essas e o passo 4 é a resposta escrita.

3. Descreva as quatro dimensões da tabela do slide, com o risco e a proteção de cada uma.

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Psicossocial: carga horária excessiva; atividades valorosas, sono e alimentação regulares. Comportamental: fazer tudo sozinho tirando tempo do sono, evitar situações temidas; apoio de profissionais, consultoria, estagiário, solução de problemas, adiamento da preocupação, exposição direta. Cognitivo e emocional: sensibilidade ao estresse com clientes, intolerância à incerteza; regulação emocional, contestação cognitiva. Ambiental: dúvida entre advocacia e concurso; projeto de vida baseado nos valores.

4. Por que a tabela do exemplo não menciona a tela, e o que isso diz sobre onde está o risco?

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Porque o risco de recaída não é o celular: é a carga horária, o fazer tudo sozinho, a sensibilidade ao cliente e a dúvida sobre a profissão. A tela é onde ele vai parar se esses quatro voltarem, ou seja, é o destino da alça, e não o gatilho. Prevenir recaída é proteger os quatro, e não vigiar a tela.

5. Como montar a tabela com o paciente, e como ela vira o plano de ação?

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Uma linha por sessão, nas últimas sessões. Começar pelo risco ("quando tu quase recaiu, o que estava acontecendo?"), que cai numa das dimensões; depois a proteção ("o que, de tudo que a gente fez, teria segurado?"), que é uma técnica já conhecida. A tabela vai com o paciente, e o plano de ação é a coluna da direita em ordem: o que fazer primeiro quando o sinal da esquerda aparecer.

6. Pense num paciente teu perto da alta. Preenche as quatro linhas: um risco e uma proteção por dimensão.

Ver critérios
Não há resposta certa. Uma boa resposta preenche as quatro dimensões com riscos específicos do contexto do paciente (e não com "usar o celular") e com proteções que são técnicas já treinadas com ele, uma por linha, escritas de um jeito que ele reconheça. O erro comum é colocar a tela como risco em todas as linhas e "reduzir o uso" como proteção, o que não protege de nada.
Salvo neste aparelho

Referências

  1. Marlatt, G. A., & Donovan, D. M. (Eds.). (2005). Relapse prevention: Maintenance strategies in the treatment of addictive behaviors (2nd ed.). Guilford Press.
  2. Witkiewitz, K., & Marlatt, G. A. (2004). Relapse prevention for alcohol and drug problems: That was Zen, this is Tao. American Psychologist, 59(4), 224–235.
  3. Wölfling, K., Müller, K. W., Dreier, M., Ruckes, C., Deuster, O., Batra, A., Mann, K., Musalek, M., Schütz, C., Hanke, S., & Beutel, M. E. (2019). Efficacy of short-term treatment of internet and computer game addiction: A randomized clinical trial. JAMA Psychiatry, 76(10), 1018–1025.
Nota de métodoMaterial dirigido a psicólogos. É o vigésimo vídeo de uma disciplina de pós-graduação; a psicoeducação para cuidadores e familiares vem no vídeo 21.

Fonte. Este resumo foi escrito a partir dos slides do vídeo, sem transcrição da fala. A tabela foi redesenhada com o conteúdo do slide. Os quadros "o que os seis passos têm de novo", "como montar a tabela com o paciente" e a seção final em processos foram desenvolvidos pelo autor do material a partir da lógica da disciplina. O exemplo do advogado é vinheta didática do slide.

Referências. Os slides não citam fontes. O modelo de prevenção de recaída é o de Marlatt, citado como respaldo; a estrutura da fase final corresponde à do protocolo STICA (vídeo 8).

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