Prevenção à recaída: seis passos e uma tabela de riscos e proteções
A fase final em seis passos: avaliar fatores de risco, conscientizar, desenvolver habilidades de enfrentamento, plano de ação personalizado, monitoramento contínuo e reforço de conquistas; e a tabela que junta tudo por dimensão.
Sobre este material
Material de estudo dirigido a psicólogos, escrito a partir dos slides do vigésimo vídeo da disciplina, sobre a fase final: prevenção à recaída. Não havia transcrição.
A tabela de riscos e proteções é o exemplo do slide para um paciente advogado, e foi mantida como vinheta.
- Prevenção de recaída começa pela avaliação de risco. Estressores, padrões de pensamento e situações disparadoras deste paciente, antes de qualquer estratégia.
- O plano de ação é para quando os sintomas voltarem. Passos concretos em caso de sinais específicos ou situações difíceis. Um guia, e não uma promessa.
- Monitoramento contínuo pega o sinal cedo. Diários, escalas de humor, acompanhamento regular. É a EMA do vídeo 7 mantida depois da alta.
- Reforçar conquistas é fortalecer autoeficácia. Celebrar o progresso, por menor que seja, é o que sustenta a crença de superar desafios.
- Cada risco tem uma proteção na mesma linha. Psicossocial, comportamental, cognitivo-emocional, ambiental. A tabela é a formulação de manutenção do paciente.
A fase final: seis passos
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A fase final tem por objetivo consolidar mudanças, manter ganhos e prevenir recaídas. O quadro lista o que a compõe: reforço da autoeficácia; planejamento de situações de risco; plano de ação em caso de recaída; discussão sobre o uso funcional da internet; rotina saudável; acompanhamento do progresso com tarefas entre sessões. Os dois slides seguintes organizam o trabalho em seis passos.
- 1. Avaliação de fatores de risco. Antes de implementar estratégias, uma avaliação minuciosa dos fatores de risco individuais: eventos estressores, padrões de pensamento disfuncionais e situações desencadeadoras que aumentam a vulnerabilidade à recaída.
- 2. Conscientização e psicoeducação. Promover a conscientização do paciente sobre a própria condição e os desencadeadores; educar sobre os sinais precoces e sobre as estratégias de enfrentamento eficazes.
- 3. Desenvolvimento de habilidades de enfrentamento. Regulação emocional, resolução de problemas e manejo do estresse; habilidades sociais, para fortalecer os relacionamentos.
- 4. Plano de ação personalizado. Em colaboração com o paciente, um plano com passos concretos a seguir em caso de surgimento de sintomas específicos ou situações desafiadoras: um guia prático para enfrentar potenciais desafios.
- 5. Monitoramento contínuo. Um sistema para identificar precocemente sinais de alerta: diários, escalas de avaliação de humor e acompanhamento regular das mudanças nos padrões.
- 6. Reforço de conquistas e autoeficácia. Reforçar as conquistas alcançadas durante a terapia; celebrar os progressos, por menores que sejam, contribui para a motivação contínua e a crença de superar desafios.
O que os seis passos têm de novo
Quase nada, e é essa a lição. Regulação emocional é o vídeo 12; solução de problemas, o 15; habilidades sociais, o 19; monitoramento, o 7; sinais precoces, o 14. A prevenção de recaída não é uma técnica nova; é a organização das anteriores em torno de uma pergunta: o que este paciente vai fazer, sem o terapeuta, quando a situação de risco aparecer? O passo 4 é a resposta escrita, e o passo 1 é o que diz quais situações são essas.
A tabela de riscos e proteções
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O último slide junta tudo numa tabela para um paciente específico, um advogado, em quatro dimensões.
- Psicossocial. Risco: estressores significativos, especificamente carga horária de trabalho semanal excessiva. Proteção: atividades valorosas para equilibrar o orçamento corporal; hábitos de sono e alimentação regulares.
- Comportamental. Risco: fazer tudo sozinho, mesmo que implique usar tempo que não possui (retira tempo do sono); evitação de situações temidas. Proteção: apoio de profissionais mais habilitados, consultoria, estagiário; aplicação de solução de problemas, adiamento da preocupação e exposição direta, sempre que possível.
- Cognitivo e emocional. Risco: alta sensibilidade ao estresse, principalmente nas interações com clientes, gerando ansiedade; intolerância à incerteza. Proteção: habilidade de regulação emocional; contestação cognitiva.
- Ambiental. Risco: estressores ocupacionais em relação à escolha da profissão (manter-se na advocacia ou fazer concurso). Proteção: escolha e manutenção de um projeto de vida baseado nos valores.
Três coisas para notar. Primeira: cada risco tem a proteção na mesma linha, e a proteção é uma técnica da disciplina com o nome do paciente ("estagiário" é solução de problemas aplicada; "projeto de vida baseado nos valores" é o vídeo 13). Segunda: a tabela não menciona a tela em nenhuma linha. O risco de recaída deste paciente não é o celular; é a carga horária, o fazer tudo sozinho, a sensibilidade ao cliente e a dúvida sobre a profissão. A tela é onde ele vai parar se esses quatro voltarem. Terceira: a dimensão ambiental tem a proteção mais lenta (um projeto de vida), e é a que mais sustenta as outras.
Lendo o vídeo em processos
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- A tabela é a formulação de manutenção: os riscos são os antecedentes que reativam a alça velha, e as proteções são as respostas alternativas que a rede nova já tem. Não há técnica nova porque não há nó novo; há a mesma rede sem o terapeuta.
- O risco não é a tela. É o contexto (carga horária), o comportamento (fazer sozinho), a cognição e o afeto (sensibilidade, incerteza) e o projeto de vida. A tela é o destino da alça, e não o gatilho.
- O monitoramento contínuo é a discriminação que permite agir no primeiro elo e não no último. Os sinais do vídeo 14 são o que se monitora.
- Autoeficácia é o nó de self que sustenta a manutenção quando a novidade acaba. Reforçar conquistas pequenas é alimentar esse nó com evidência.
- Uso funcional da internet é a meta realista: a rede nova inclui a tela, no lugar certo e com a função certa.
1. Liste os seis passos da prevenção à recaída e o que cada um envolve.
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2. Por que a prevenção de recaída "quase não tem técnica nova", e o que ela tem de específico?
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3. Descreva as quatro dimensões da tabela do slide, com o risco e a proteção de cada uma.
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4. Por que a tabela do exemplo não menciona a tela, e o que isso diz sobre onde está o risco?
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5. Como montar a tabela com o paciente, e como ela vira o plano de ação?
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6. Pense num paciente teu perto da alta. Preenche as quatro linhas: um risco e uma proteção por dimensão.
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Referências
- Marlatt, G. A., & Donovan, D. M. (Eds.). (2005). Relapse prevention: Maintenance strategies in the treatment of addictive behaviors (2nd ed.). Guilford Press.
- Witkiewitz, K., & Marlatt, G. A. (2004). Relapse prevention for alcohol and drug problems: That was Zen, this is Tao. American Psychologist, 59(4), 224–235.
- Wölfling, K., Müller, K. W., Dreier, M., Ruckes, C., Deuster, O., Batra, A., Mann, K., Musalek, M., Schütz, C., Hanke, S., & Beutel, M. E. (2019). Efficacy of short-term treatment of internet and computer game addiction: A randomized clinical trial. JAMA Psychiatry, 76(10), 1018–1025.
Fonte. Este resumo foi escrito a partir dos slides do vídeo, sem transcrição da fala. A tabela foi redesenhada com o conteúdo do slide. Os quadros "o que os seis passos têm de novo", "como montar a tabela com o paciente" e a seção final em processos foram desenvolvidos pelo autor do material a partir da lógica da disciplina. O exemplo do advogado é vinheta didática do slide.
Referências. Os slides não citam fontes. O modelo de prevenção de recaída é o de Marlatt, citado como respaldo; a estrutura da fase final corresponde à do protocolo STICA (vídeo 8).
Nenhuma citação foi construída para preencher lacuna.

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