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Jornada da Leitura
Resumo de aula · Jornada da Leitura

Exposição imaginada: a cena como um filme, para o que a tela evita

Vídeo 18
Prof. Júlio Gonçalves · Disciplina Avaliação e tratamento das dependências tecnológicas · Vídeo 18

Quatro passos para expor à situação social evitada: avaliar (BSPS e Liebowitz), entender as duas curvas, escrever a cena como um filme na primeira pessoa e no presente, e conduzir a exposição com SUDS e gravação.

Sobre este material

Material de estudo dirigido a psicólogos, escrito a partir dos slides do décimo oitavo vídeo da disciplina, sobre exposição imaginada para a ansiedade social que a tela costuma evitar. Não havia transcrição.

O roteiro da cafeteria é o exemplo do slide, resumido aqui.

Como usarAbra as seções que quiser ler, marque o que pretende aplicar e responda o que fizer sentido. Tudo fica salvo neste aparelho — ninguém mais vê.
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O essencial
  • A tela costuma evitar uma situação social. Ansiedade social é a comorbidade mais ligada à função de substituição (vídeo 4). Expor ao que se evita é tirar da tela essa função.
  • Duas curvas: fuga e habituação. Fugir corta o pico e devolve a curva inteira amanhã; suportar até a queda faz cada exposição começar mais baixa.
  • Avaliar antes: BSPS e Liebowitz. Medo e esquiva por situação, sintomas fisiológicos, e a lista de 24 situações de desempenho e sociais. Dão a hierarquia.
  • A cena é um filme, e não uma lista de preocupações. Primeira pessoa, presente, detalhes sensoriais, e o significado do evento ("isso significa que fracassei").
  • Começar pelo roteiro menos aversivo, medir com SUDS, gravar. Olhos fechados, detalhes vívidos, 0 a 100 ao longo da cena, e o áudio como tarefa entre sessões.

Passo 1: entender as duas curvas

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Fuga e habituação: as duas curvas do slide
intensidade do sofrimento tempo fuga, esquiva, compensação alívio agora, curva igual amanhã tempo suportar a curva habituação: cada vez mais baixa
Os dois desenhos à mão do slide, redesenhados. À esquerda, a fuga corta a curva e ela volta inteira; à direita, ficar até a queda natural faz cada exposição seguinte começar mais baixa.

O vídeo abre a exposição com o par de desenhos que sustenta toda a técnica. No primeiro, o estímulo aversivo aparece, a intensidade do sofrimento sobe, e no pico a pessoa faz um comportamento compensatório ou de fuga: a curva cai em linha reta. A anotação do slide: efetiva no curto prazo, mas no longo... A curva volta inteira na próxima vez, porque a pessoa nunca ficou para ver o que aconteceria.

No segundo, a pessoa suporta a curva: o sofrimento sobe, chega ao pico, e cai sozinho, com a queda angular que o slide marca. E a cada repetição a curva começa e termina mais baixa: habituação. É o que a tela impede: pegar o celular no meio de uma situação social é o comportamento de fuga do primeiro desenho, e por isso a ansiedade social de quem usa muita tela não melhora nunca.

Passo 2: avaliação completa

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Antes de expor, o slide pede uma avaliação completa do paciente: a gravidade da ansiedade social, as crenças, os tipos de situação social que disparam a ansiedade, e os comportamentos de evitação. Dois instrumentos, ambos com link para download.

  • BSPS (Brief Social Phobia Scale), na tradução e adaptação de Crippa e colaboradores (2003): sete situações (falar em público, conversar com autoridades, com estranhos, ficar envergonhado, ser criticado, reuniões sociais, fazer coisas sendo observado), cada uma avaliada em medo e em esquiva, mais quatro sintomas fisiológicos (rubor, palpitações, tremores, transpiração). É entrevista, e não autorrelato.
  • Escala de Ansiedade Social de Liebowitz: 24 situações, marcadas como de desempenho (P) ou sociais (S), cada uma com nota de ansiedade e de evitação. Os cortes do slide: até 54, pouco significativa; 55 a 65, leve; 66 a 80, moderada; 81 a 95, grave; 96 ou mais, muito grave.

O que se tira daqui não é só a gravidade: é a hierarquia. As situações com mais evitação e menos ansiedade relatada são as candidatas ao primeiro roteiro; as com mais dos dois ficam para depois.

Passo 3: escrever a cena como um filme

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A exposição imaginada precisa de um roteiro, e o slide o define: é como escrever uma cena em um filme que descreva alguns minutos de ação. As regras:

  • Escrever na primeira pessoa, usando "eu".
  • Escrever no tempo presente ("estou chegando em casa após um dia de trabalho").
  • Usar detalhes sensoriais para preencher a cena: sentimentos físicos de ansiedade (taquicardia), imagens detalhadas do entorno, outras sensações (sons, cheiros, toque).
  • Não listar preocupações ("eu me preocupo com o que farei para ganhar dinheiro"). O objetivo é ir além da descrição verbal da ansiedade e criar uma imagem.
  • Tentar compreender o significado do evento ("isso significa que fracassei").

O exemplo do slide é a cafeteria: o paciente escolhe uma mesa perto do balcão, reúne coragem, decide fazer um pedido simples; o coração acelera; a atendente sorri; quando tenta pedir um café preto, as palavras travam, a voz treme, saem inaudíveis; a expressão dela muda para confusão; a fila atrás fica impaciente; o rosto fica vermelho; ele tenta de novo, sai confuso; sai da fila, humilhado e derrotado.

Por que a cena inclui o pior

Repare que o roteiro não termina bem: termina com a humilhação que o paciente teme. É de propósito. A exposição imaginada expõe ao significado temido ("isso significa que fracassei"), e não só à situação. Se a cena termina com o café servido e um sorriso, a pessoa não se expôs a nada. A curva só sobe, e só habitua, se o roteiro toca o que ela evita.

Passo 4: conduzir a exposição

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  • Selecionar um dos roteiros, de preferência o menos aversivo, e pedir ao paciente que feche os olhos e imagine a cena como se estivesse acontecendo naquele momento.
  • Estimular a concentração nos detalhes que tornam a cena mais vívida: sentimentos físicos, o que vê, o que ouve, o significado.
  • Avaliar a SUDS de 0 a 100, ao longo da cena, para ver a curva subir e cair.
  • Gravar o áudio da exposição e enviar como plano de ação: ouvir entre as sessões reforça a aprendizagem.
O que o terapeuta observa
Duas coisas. Se a SUDS não sobe, a cena está verbal demais ou o paciente está se distraindo (que é a fuga do primeiro desenho, por dentro); pede-se mais detalhe sensorial. Se a SUDS sobe e não cai dentro da sessão, a cena está acima da hierarquia; repete-se uma menos aversiva. A gravação serve para a repetição diária que faz a família de curvas do segundo desenho.

Lendo o vídeo em processos

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  • A tela é o comportamento de fuga da primeira curva, disponível no bolso em qualquer situação social. Expor é retirar dela a função de substituição que o vídeo 4 descreveu.
  • A avaliação dá a hierarquia, que é a ordem de treino: evitação alta e ansiedade moderada primeiro.
  • O roteiro expõe ao significado, e não só à situação: é o nó cognitivo ("fracassei") sendo tocado pela via emocional, o que o RPD e o continuum não alcançam sozinhos.
  • A SUDS é a medida da curva, e a gravação é o que transforma uma exposição em dez. A habituação é o que faz a alça de fuga perder a função.
  • É o treino de "estar ali" do vídeo 17, na imaginação; o ensaio comportamental (vídeo 19) é o mesmo treino ao vivo.
Levar para a prática
Para revisar — responda

1. Descreva as duas curvas do slide e o que cada uma diz sobre o uso da tela em situações sociais.

Ver comentário
Na primeira, o sofrimento sobe e a pessoa foge ou compensa no pico: a curva cai em linha reta, alívio agora e curva inteira na próxima vez. Na segunda, a pessoa suporta até a queda natural, e a cada repetição a curva começa e termina mais baixa (habituação). A tela no bolso é o comportamento de fuga da primeira curva em qualquer situação social; por isso a ansiedade social de quem usa muita tela não habitua.

2. Quais são os dois instrumentos de avaliação, o que cada um mede, e o que se tira deles além da gravidade?

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BSPS (Crippa et al., 2003): sete situações avaliadas em medo e esquiva, mais quatro sintomas fisiológicos, por entrevista. Liebowitz: 24 situações de desempenho e sociais, com nota de ansiedade e de evitação, e cortes de gravidade (até 54 pouco significativa; 96 ou mais muito grave). Além da gravidade, dão a hierarquia: as situações com mais evitação e ansiedade moderada são o primeiro roteiro.

3. Quais são as cinco regras para escrever a cena, e por que ela não deve ser uma lista de preocupações?

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Primeira pessoa ("eu"); tempo presente; detalhes sensoriais (sensações físicas, imagens do entorno, sons, cheiros, toque); não listar preocupações; compreender o significado do evento ("isso significa que fracassei"). A lista de preocupações é verbal e não produz imagem; sem imagem a SUDS não sobe e não há o que habituar.

4. Por que o roteiro da cafeteria termina com humilhação, e não com o café servido?

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Porque a exposição imaginada expõe ao significado temido, e não só à situação. Se a cena termina bem, a pessoa não tocou o que evita, a curva não sobe e nada habitua. O roteiro precisa incluir o pior (voz que trava, fila impaciente, humilhação) para que a habituação seja a esse significado.

5. Como conduzir a exposição, e o que fazer se a SUDS não sobe ou não cai?

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Escolher o roteiro menos aversivo, pedir que feche os olhos e imagine como se estivesse acontecendo, estimular os detalhes que tornam a cena vívida, medir a SUDS de 0 a 100 ao longo da cena, gravar e mandar como tarefa. Se a SUDS não sobe, a cena está verbal demais ou o paciente se distrai: mais detalhe sensorial. Se sobe e não cai na sessão, está acima da hierarquia: repetir uma menos aversiva.

6. Pense num paciente teu. Que situação social a tela evita, e como seriam as primeiras três linhas do roteiro dele?

Ver critérios
Não há resposta certa. Uma boa resposta nomeia uma situação concreta em que o paciente pega o celular para não estar (fila, mesa, reunião, corredor) e escreve três linhas na primeira pessoa e no presente, com ao menos um detalhe sensorial e o começo da ansiedade. O erro comum é escrever a cena em terceira pessoa, no passado, ou já com a solução dentro.
Salvo neste aparelho

Referências

  1. Crippa, J. A. S., Graeff, F. G., Zuardi, A. W., Hetem, L. A., Busatto, G. F., & Loureiro, S. R. (2003). Brief Social Phobia Scale (BSPS): Tradução e adaptação para o português. (Conforme citado no instrumento.)
  2. Foa, E. B., Hembree, E. A., & Rothbaum, B. O. (2007). Prolonged exposure therapy for PTSD: Emotional processing of traumatic experiences. Therapist guide. Oxford University Press.
  3. Heimberg, R. G., & Becker, R. E. (2002). Cognitive-behavioral group therapy for social phobia: Basic mechanisms and clinical strategies. Guilford Press.
  4. Liebowitz, M. R. (1987). Social phobia. Modern Problems of Pharmacopsychiatry, 22, 141–173.
  5. Santos, L. F., Loureiro, S. R., Crippa, J. A. S., & Osório, F. L. (2013). Psychometric validation study of the Liebowitz Social Anxiety Scale, self-reported version for Brazilian Portuguese. PLoS ONE, 8(7), e70235.
Nota de métodoMaterial dirigido a psicólogos. É o décimo oitavo vídeo de uma disciplina de pós-graduação; os ensaios comportamentais vêm no vídeo 19.

Fonte. Este resumo foi escrito a partir dos slides do vídeo, sem transcrição da fala. As duas curvas foram redesenhadas a partir dos esboços à mão do slide. O roteiro da cafeteria foi resumido. Os quadros "por que a cena inclui o pior", "o que o terapeuta observa" e a seção final em processos foram desenvolvidos pelo autor do material a partir da lógica da disciplina.

Referências. As duas escalas trazem as fontes impressas no próprio instrumento (Crippa et al., 2003; Liebowitz, 1987; Santos et al., 2013), reproduzidas aqui como constam; a BSPS original é de Davidson (1995), como o rodapé do instrumento indica, e a referência completa da tradução não pôde ser conferida além do que o slide mostra. As regras de roteiro seguem a tradição da exposição prolongada (Foa) e da TCC para fobia social (Heimberg), citadas como respaldo.

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